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Educação Não-formal e Escola

Tânia Wutzki

Para pensarmos a relação do trabalho que desenvolvemos no Direito de Ser e a escola formal é necessário nos remetermos à missão e aos objetivos da instituição:

Missão
"Estar junto a criança e ao adolescente através de uma proposta sócio-educativa, com ênfase na arte-educação, mediando seu desenvolvimento integral".

Objetivos

  • Propiciar às crianças e adolescentes atendidos a vivência dos Direitos preconizados pelo ECA;
  • Possibilitar a vivência e a internalização de valores universalmente desejáveis para a vida em sociedade;
  • Apoiar e instrumentalizar as famílias na defesa dos direitos das crianças e adolescentes, fortalecendo o seu papel na formação e proteção destes.

Esta relação num primeiro momento é marcada pela troca de documentos como a declaração de matrícula, relação de notas e freqüência dos usuários e comunicados necessários quando há alteração na rotina das atividades de ambas as partes. No início das atividades solicitávamos a declaração de matrícula, que é condição para a criança ser atendida na instituição e não tínhamos como necessário à relação das notas e freqüência. Entretanto, nos contatos com as famílias quando trabalhávamos a relação destas com a escola, fomos percebendo que a linguagem, símbolos, conceitos e códigos usados pela escola nas reuniões com os responsáveis e presentes nas listas e documentos a que têm acesso nas reuniões, ou quando são chamadas, não eram de domínio de todas, ou seja, não havia compreensão por parte das famílias do que a escola dizia com as informações que apresentava sobre a vida escolar das crianças. No nosso entendimento, nesta situação configura-se uma relação de poder onde a escola não preocupa-se em fazer-se entender, e as famílias não percebem-se em condições de solicitar esclarecimentos, argumentar e ter uma postura cidadã diante de um serviço prestado pelo Estado.

Passamos então a solicitar bimestralmente à escola o acesso às listas e elaborarmos as fichas de cada criança com as notas e freqüência. Com estas listas pudemos trabalhar com as famílias o entendimento dos conceitos e fazer com elas, o acompanhamento no decorrer do ano. Esta atividade tem possibilitado uma participação mais positiva das famílias nas reuniões da escola e também um número maior de famílias comprometidas com o acompanhamento da vida escolar das crianças. Os indicadores que utilizamos para avaliar nossas ações apontam que 97% do total de famílias em 2003 participaram das reuniões da escola.

Temos, portanto, procurado avançar nesta relação trabalhando a idéia presente nos marcos legais (Constituição Federal, ECA, LOAS) que escola/família e instituição (Estado, família e sociedade) são responsáveis pelo desenvolvimento das crianças e adolescentes e portanto, podem e devem ser parceiras inclusive no sentido da garantia dos direitos preconizados no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Avaliando esta relação com a educação formal, temos percebido por outro lado, que a escola não lida bem com as crianças, adolescentes e famílias que freqüentam espaços de educação não formal (isto não é uma situação exclusiva do Direito de Ser, outras instituições têm a mesma avaliação) pois estes, por terem maior consciência de seus direitos e deveres não aceitam ou questionam tratamentos às vezes comuns e aceitáveis no espaço escolar, mas que ferem o respeito, a dignidade e mesmo a compreensão destes como seres em desenvolvimento. Nestes casos, aqueles que são "problemas" na escola podem estar exercendo sua cidadania e solicitando da escola uma postura diferente. Exemplo disto é o diálogo entre uma mãe e uma professora da escola que, quando reclamou do comportamento da criança ouviu: "no Direito de Ser onde ele é tratado com respeito, ele tem outro comportamento".

Acontece também de nem sempre termos o mesmo entendimento diante de situações em que crianças que freqüentam os dois espaços são avaliadas pela escola com "mau comportamento", com "problemas de aprendizagem", crianças violentas, etc...Nestas situações tentamos fazer um movimento no sentido de aproximar da escola o olhar que temos da criança na instituição (técnicos e educadores) e que, considera e procura compreender o contexto familiar, a situação do entorno em que vivem e/ou situações pontuais que podem estar relacionadas. O foco para nós não está na atitude/ação da criança exclusivamente, mas no "recado" que ela pode estar dando aos adultos que se relacionam com ela de que alguma coisa não está bem com ela.

A convicção que a arte-educação é um excelente meio para o desenvolvimento integral do ser humano tem nos levado a reavaliar as ações que tínhamos de "apoio escolar", com espaço na rotina semanal para a realização da lição de casa. Diante disto, a instituição não precisa, nem deve repetir ações próprias da escola, sua contribuição neste processo é diferenciada e se dá por outros meios como, por exemplo, possibilitando o acesso a atividades culturais e artísticas que aumentam a auto-estima, valorizando a cultura e o saber da comunidade, despertam a criatividade, e estabelecem uma relação com o mundo que é marcada pela possibilidade da transformação.

Uma maneira de conferirmos os resultados do trabalho é o índice de sucesso escolar das crianças que freqüentam os dois espaços. Em 2003 tivemos apenas 5% de reprovação (o que representa 04 crianças) sendo que o índice da escola onde estuda a maior parte das crianças é 8%. Embora este índice possa ser questionado considerando o sistema educacional atual, ele é um dos parâmetros que nos indicam estarmos na direção certa no sentido da construção de uma relação entre a educação não formal e a escola que, embora tenha como foco de ação o mesmo sujeito (crianças e adolescentes) possa ter clareza da função que cada uma tem na formação das novas gerações.


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